Sobre o jyotiṣa

Mandala azul

Jyotiṣa é como os hindus se referem a astrologia e também a astronomia. A palavra em si advém da raiz “jyotis” que significa “luz”, aludindo ao fato de que os objetos de estudo do jyotiṣa são justamente os luzeiros no céu, ou seja, grahas (“planetas”), signos (rāśis) e asterismos (nakṣatras), com os quais se pode compreender, por meio da analogia e do simbolismo, os movimentos cíclicos do tempo e seus efeitos, enquanto expressão de uma ordem divina (ṛtu).

Horā, siddhānta e saṁhitā são como os hindus dividem o jyotiṣa, onde horā se refere a astrologia preditiva em si, englobando os ramos de astrologia natal (jātaka), eletiva (muhūrta), horária (praśna), etc. Siddhānta é, em outras palavras, a astronomia, que engloba tanto o seu aspecto matemático (ganita) quanto também observacional (gola). Por fim, saṁhitā trata das predições que englobam o mundo ou uma região específica, sendo, portanto, uma astrologia com enfoque coletivo e que estuda, além dos movimentos celestes padrões, cometas, meteoros, certas estrelas e outros fenômenos, com sua consequente incidência sobre o mundo.

Como toda astrologia, o jyotiṣa é um método organizado de conhecimento que nos ajuda a atribuir significado a vida e a torná-la inteligível, uma vez que se parte da premissa de que o universo em si possui ordem e inteligibilidade, a qual pode ser parcialmente compreendida pela mente humana. No entanto, isso não qualifica o jyotiṣa como ciência na acepção moderna do termo, uma vez que seu formato é muito mais complexo e abstrato. Na verdade, a definição mais apropriada para o jyotiṣa é a de vidyā ou, em uma linguagem mais simples, de um conhecimento ou ciência sagrada.

oṁ tat sat